Wednesday, April 29, 2009

O Papel dos BRICs Na Retomada do Crescimento Mundial

A economia americana apresentou contração de 6,1% no primeiro trimestre de 2009, um número bastante superior às estimativas do mercado. Esta é a segunda contração seguida da maior economia do mundo, especialmente considerando que no último trimestre de 2008 os Estados Unidos apresentaram contração de 6,3%. A contração foi generalizada entre os principais componentes do PIB, atingindo exportações, estoques, gastos governamentais e investimento. De fato, os gastos com investimentos tiveram contração de 37,8% na comparação trimestral anualizada. Devido a retração global da demanda e os elevados níveis de estoques, as empresas pararam de investir no primeiro trimestre de 2009 e cortaram suas importações. Com essa péssima performance o crescimento anualizado da economia economia americana chegou a 2,6%. De fato, esperamos que a economia americana observe contração de 3% em 2009 e cresca 1% em 2010. Entretanto, é alentador dizer que o pior da crise já passou. Ou seja, os próximos trimestres devem apresentar performances melhores, seja porque há diversos indicadores já mostrando sinais de reversão da tendência recessiva, seja porque os maiores mercados emergentes do mundo (os chamados BRICs) não estão acompanhando a recessão americana.

Impactos da Crise nos BRICs

No caso do Brasil, as perspectivas da economia não são tão sombrias quanto as dos Estados Unidos. De fato, é possivel que o país apresente contração do PIB de até 1% em 2009. Entretanto, o governo já está tomando todas as medidas – de caráter fiscal e monetário – para evitar uma contração prolongada da demanda. Além disso, o Brasil possui sólidas condições macroeconômicas, um elevado volume de reservas internacionais capaz de evitar saídas bruscas de capitais, taxa de câmbio livre. O caso da Rússia já não é tão positivo quanto a situação brasileira. Na nossa previsão o PIB russo deve apresentar contração de 5% em 2009. Além da economia ser extremamente baseada no preço do petróleo, também devemos considerar que houve uma forte saída de capital da Rússia devido ao fato do câmbio administrado não refletir o verdadeiro valor da divisa em moeda estrangeira. Já a Índia vinha crescendo 10% ao ano desde 2004. O país estava recebendo elevados fluxos de investimento externo e ao mesmo tempo estava experimentando uma fase de dinheiro fácil que permitiu uma grande expansão do crédito. Com a crise financeira global, houve uma reversão dos fluxos de capitais para a Índia assim como uma queda das exportações indianas. Assim, a previsão é que o país cresca cerca de 6,5% em 2008 e 5,5% em 2009. Cabe mencionar que tanto o Brasil quanto a Índia já estão implemetando pacotes fiscais para evitar uma maior transmissão da crise global nos mercados locais. Não há dúvidas quanto ao sucesso das iniciativas fiscais destes países.

China

O crescimento da economia chinesa chegou a 6,8% em 2008. No primeiro trimestre de 2009, observamos uma leve contração da China, quando o PIB alcancou 6,1% na comparação anualizada. Alguns analistas acreditam entrentanto que a China venha a crescer 8,3% em 2009 e 10,9% em 2010. Caso tais cifras de fato venham a se concretizar, isso significa que a China pode estar liderando a recuperação do crescimento mundial. Ainda que a idéia de descolamento esteje afastada de todos cenários, a economia chinesa está se mostrando bastante resiliente à situação de crise. Além disso, importa ressaltar que a pujança da China já está trazendo efeitos positivos para as maiores economias da américa do sul, como é o caso do Brasil. A China é um dos maiores mercados das exportações de produtos brasileiros. O crescimento da China sem dúvida puxa o crescimento do Brasil, sendo que a China é mais importante – em termos de volume de comércio – do que quase todos países europeus.

Conclusão

A crise financeira mundial abateu os Estados Unidos de forma brutal. Além disso, a maioria dos países da Europa, Reino Unido e Japão também devem sofrer os impactos nefastos da crise em 2009. Entretanto, a idéia principal que tentamos passar é que o pior da crise já passou e a recuperação econômica deve começar a partir de agosto de 2009.

Os grandes mercados emergentes do mundo – leia-se os BRICs – entrentanto, não devem sofrer tanto com a crise. Isto porque as economias destes países aumentaram sua interdependência de forma exponencial nos últimos anos. Assim, a pujança do crescimento chines reflete de forma positiva no crescimento das exportações brasileiras. De modo análogo, o crescimento da economia indiana também possui impactos benéficos no crescimento brasileiro. Em síntese, é possível que venhamos a observar no ano de 2010 o crescimento do mundo sendo liderado e explicado pelo crescimento das economias do Brasil, Índia e China.

2 comments:

  1. Oi Vitória, belo post.

    No caso da China, nos ultimas semanas notou-se que traçaram uma estratégia de comprar commodities para estoque. Você acha que essa atitude pode levar a algum tipo de problema no futuro para os exportadores nos países produtores de commodities, tendo em vista que a economia da China representa boa parte da demanda em momentos de estabilidade econômica?

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  2. Thiago, Sim, sem dúvida é um super problema. Eles estao retendo mercadorias para ver se o preco sobe. Isso seria como a politica de valorização do cafe de 1932. Mas ainda é cedo para verificarmos o impacto dessa medida no preco do produto final. Abracos

    Vitoria

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