Wednesday, August 5, 2009

Por Que as Bolsas de Valores Nos BRICs Estão Subindo Tanto?

Nas últimas semanas, os mercados de ativos nas economias maduras - após subirem de forma brutal por três meses - fizeram uma pausa e começaram um período de correção nas últimas semanas.

Até que esssa última correção recente começasse houve um significativo aumento no preço dos ativos. De fato, esse movimento de alta tem sido verificado de forma sistemática desde da segunda semana de março de 2009. Observou-se altas no mercado de ações, elevação dos preços de petróleo e alta no preço das commodities. Do lado monetário, verificou-se uma contração nos spreads de crédito sugerindo um aumento de confiança no setor privado. Além disso, o fato das taxas de juros de longo prazo dos títulos do tesouro americano subiram de 2% para 4% sugerindo que o mercado esta prevendo crescimento econômico num futuro próximo. Um outro fator positivo importante é a recente queda da volatilidade dos preços dos ativos, indicando um aumento de confiança e um redução na aversão ao risco.

Nos mercados emergentes, os preços dos principais ativos - ações, títulos e moeda - nunca estiveram tão otimistas. De fato, os índices dos BRICs estão mostrando que desde o início de 2009 alguns investidores começaram a acreditar que essas economias - a começar com a China – devem registrar um significativo crescimento econômico em 2009 e tal crescimento vai tender a aumentar ainda mais o preço das commodities.
No caso do Brasil, a Bovespa atingiu em meados de agosto o nível mais alto dos útlimos 11 meses sobretudo em virtude do aumento de confiança que a recessão generalizada está terminando e que a perspectiva é de melhoria do cenário global. De fato, em julho a Bovesta teve o seu melhor mês desde 1998 sendo que a razão de tal excepcional performance está relacionada a significativa melhoria do cenário internacional.

No caso da China, após registrar queda de 70% no final de 2007, o Índice composto de Shanghai (Shanghai Composite Index) registrou impressionante alta de 91% no acumulado do ano de 2009 até julho. As razões de 'price/earning`mais do que dobraram sobretudo considerando o nível baixo que se encontravam em novembro de 2008. A excepcional performance do mercado de ações na China está relacionada as expectativas que a recuperação da economia chinesa caminha a pleno vapor.
No caso da Índia, a bolsa de valores subiu 47% no acumulado do ano de 2009 até julho. De fato, o índice caiu no início de 2009, fazendo a Índia ficar atras do Brasil, Russia e China (BRICs) no primeiro trimestre de 2009. De fato, o mercado atingiu um piso em começo de março de 2009 e desde então subiu 94% desde março até julho de 2009. A subida de 28% em maio de 2009 é o melhor ganho mensal da bolsa indiana desde 1992. Entretanto, o otimismo do mercado indiano está refletindo a incerteza quanto a recuperação econômica nos Estados Unidos. Deste modo, o mercado indiano também tem apresentado elevada volatilidade em virtude da incerteza quanto ao rumo futuro da economia americana sobretudo se a recessão já acabou mesmo ou não.

No caso da Rússia, as ações tiveram uma longa alta de nove meses, com o petróleo sendo negociado a $71 por barril. As projeções otimistas para os metais aumentaram o preço das ações de minérios. O índice da bolsa de valores da Russia - Micex - subiu 90% em seis meses sobretudo considerando que o petróleo - o principal item da pauta de exportação russa - mais do que dobrou desde que atingiu o nível mais baixo de fevereiro de 2009.

Em outras palavras, os mercados centrais que há quatro meses atras estavam precificando uma profunda recessão com um formato de L passaram a precificar uma rápida recuperação em formato de V com as economias centrais crescendo próximo ao produto potencial. A melhora das expectativas econômicas nos países centrais pode ser explicada sobretudo pelas ações agressivas tomadas pelo Federal Reserve, pelo Tesouro americano. Fora dos EUA, cabe mencionar o expressivo pacote fiscal lançado pela China em novembro de 2008. De modo análogo, Índia e Brasil também lançaram suas versões do "Paulson Plan". Ou seja, todos os grandes países em diferentes graus entenderam que a mera utlização de política monetária seria insuficiente para retirar o sistema da profunda recessão mundial. Não há duvidas atualmente que o risco de uma recessão em formato de L é quase inexistente.

Muito embora o aumento de confiança na economia global explique o excepcional desempenho do mercado acionário nos BRICs e nas economias desenvolvidas, é preciso lembrar também que os fundamentos não são o único fator em movimento. É possivel que uma parcela da alta de alguns mercados esteje ligado à maior liquidez, especialmente considerando que os governos aumentaram a liquidez do sistema e somente agora tal aumento da liquidez está chegando no mercado de ativos.

Atualmente os mercados estão precificando que a recesssão já está chegando ao fim. Nas economias centrais, a recuperação deve ocorrer, muito embora os fundamentos dessas economias - em especial EUA, zona do Euro e Reino Unido - estejem ainda bastante deprimidos. Há problemas profundos no sistema financeiro desses países, no sistema de hipotecas, entre outros que inibem uma retomada sustentada do crescimento econômico nos países centrais. Há também poucas dúvidas que os elevados déficits fiscais que estão sendo monetizados venham a aumentar as expectativas inflacionárias futuras. Sem dúvida em algum momento os EUA terão que reduzir a elevada dívida federal. De fato, a dívida pública americana vem crescendo a taxas maiores do que a taxa de crescimento do PIB. No final de 2008 a dívida publica era equivalente a 41% do PIB e conforme projeções do Congressional Budget Office a dívida pública americana deve aumentar para 82% do PIB em 10 anos. A elevada dívida pública americana é apenas um dos muitos problemas a serem resolvidos pelos EUA nos próximos anos.

Neste cenário de início de uma recuperação gradual das economias centrais há poucas dúvidas que os mercados emergentes devem ter uma melhor performance do que as economias centrais. Entre os emergentes, o destaque especial são os países que compõem os BRICs - Brasil, Russia, Índia e China. Não há dúvidas que mesmo os BRICs também dependem da demanda externa, como fonte de crescimento e, neste sentido, não podem descolar totalmente do ritmo da recuperação da economia mundial. Por outro lado, esta crise mostrou que a demanda doméstica de países como China e Brasil estão sendo capazes de sustentar o crescimento do PIB destes países num momento onde o mundo está registrando taxas de crescimento negativas.

Em síntese, as bolsas de valores dos BRICs estão refletindo a euforia do eventual final do cenário recessivo a nível mundial. Além disso, esses mesmos países também injetaram liquidez no sistema e possivelmente tal aumento de liquidez esteje atigindo os principais mercados de ativos. A recuperação econômica dos países centrais - leia-se EUA, zona do EURO, Reino Unido e Japão - deve ser tímida em 2010. Em contraste, os BRICs devem registrar elevadas taxas de cresciemento em 2010, com China liderando o grupo (8.9% de crescimento projetado para 2010 e 7.7% para 2009), seguido de Índia (7.3% para 2010 e 5.7% para 2009), Brasil (4% em 2010 e 0.5% em 2009) e Rússia (1% para 2010 e -8.1% para 2009).

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